Rabiscos, Imagens, Sonhos, Sons...


 Foto - Fernando Rozano.

Saudade em gotas.

Aos poucos integro sorriso e lágrima
alegria de pétalas
e banho de vida o amanhecer derramado
nos olhos de meu amado.
Pulsam raios tímidos em formosura,
sementes de luz se espalham terrenas,
pingos dourados cobrem lembranças
por onde caminha a menina de tranças.
Elevo ao pensar rústicas flores
libero a dança e seu lirismo,
arte a correr em versos chuvosos.
Sem mais rodopios olho pela janela
pintura na tela de forma poética.
E aquele moço que espanta a tristeza
o que faz fora desse instante?
Fosse ele um beija-flor
decifraria minha saudade em gotas
e pelas cores de suas nuances
surgiria junto ao perfume
da vida por ela só.

Eliane Alcântara.
24/01/06.
09h e 09 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 09h24
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http://fernandorozano.nafoto.net/photo20050910101035.html

Quebra-cabeça.

Ondas circundam alheios suspiros,
figuras de um novo pensar
presas a um cálido olhar.
Lembranças geométricas,
vida em tiras,
medidas cabíveis ao homem
se este crê no que vê sem tocar.
É como dar alma a peixes,
cavalo-marinho,
frescor da mente,
criatura e criação.
Formas perdidas em claridade
sombras mentais,
mar secreto.
É misturar o belo e o rebuscado,
engolir brisa na face e dopar a pele,
visões janelísticas, sem limites.
Montar a realidade é ao cubo de um anexo
anexar ao novo o desejo fronteiriço
e delimitar sem marcos
o inesgotável nascer de todos os dias.
Simples assim.

Eliane Alcântara.
22/01/06.
12h e 12 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 12h31
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20051016073401.html

Ao fugir de um dia
a natureza vestida de fé
enfeita os olhos do homem cansado.
Simples projeções da vida
a ensinar em simplicidade
o sabor da liberdade.

Eliane Alcântara.



Escrito por Eliane Alcântara. às 08h49
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20050910100051.html

Interior.

Há direções que apontam
e apontamentos descascam cicatrizes de paz.
Há no homem o espetáculo do silêncio,
a voz de sua razão.
Quisera eu conhecer os segredos cronológicos
de cada detalhe, viés dos olhos.
Andar pedras, deitar símbolos,
pulsar a massa de granito
e no imprevisível ornamento do tempo,
meio aos reflexos e relevos, irradiar luzes coloridas
no quadro liberdade onde braços abertos
abraçam  sem dúvida
passado, presente e futuro
na arquitetura dos sonhadores - idealistas.

Eliane Alcântara.
18/01/06.
09h e 53 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 10h02
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20051026191710.html

...

Beijo o mudo desejo de ser brinquedo em tuas mãos,
dedos a percorrer minhas notas escondidas,
abertas à sensibilidade de teu tom.
Escondes sem perceber que estás em mim

e eu, instrumento de teu gozo, espero...
Sombreio falas caladas, intacto prazer,
figura nova a teu sentir quando conheces meu choro.
Toque-me, vulgar corrente aos boêmios,
apaixonada musicalidade aos apaixonados,
febre dos loucos de plantão,
reflexo de tua vontade na do outro que sorri.
Hei de soar..
Diurna canção ao tocares a lástima do pau-brasil...
Delícia momentânea a pregar o suor da eternidade,
em teus dedos...

Eliane Alcântara.
17/01/06.
16 h e 18 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 05h00
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20050922214004.html


 ...

De estação a estação,
não pare, peça olhos novos,
seu legado é florir em outros olhos.


***

Muitas vezes o homem perde momentos únicos
por medo de acreditar no sol do outro lado.

***

Quem foge das grades não está apto
a viver fora delas.
Não maturou toda a sua beleza.

***

Os olhos do homem sábio,
são como as sementes de mostarda:
Hoje fragilidade, amanhã alimento.

***

Não são as grades que impedem o homem de ver além
e sim a sua ignorância de mãos dadas com a arrogância.

***

Tenho em mim um pouco de sol
trancado nos ângulos de minhas queixas.
Quando anoitece penso o mistério das sombras.
e abro claridade para brindá-las.

Eliane Alcântara.
16/01/05.
09h e 28 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 09h36
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http://fernandorozano.nafoto.net/photo20051218102652.html

Sufoco.

Não me deixes esquecida
entre os restos resistentes do tempo.
Chora minha alma o carinho de teu olhar,
pede meu corpo a idolatria de tuas mãos.
Quedo sem tua atenção,

aos poucos desmorono,
padeço sem cor na tinta a desbotar.

Sobrevivem em mim pedaços
daquilo que fui e sou,
monumento secreto de minhas teias.
Ativa-me teus planos, desenrola-me.
O segundo perdido é visível em minha pele,
acolha-me tua vidraça, cuida-me patrimônio.
Embeleza-me pelas bases de meus silêncios.
                                              Resgata-me.

Eliane Alcântara.
15/01/06.
14h



Escrito por Eliane Alcântara. às 14h07
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20051122205829.html

 Um beijo nos olhos!

***


The soul selects her own society,

Then shuts the door;
On her divine majority
Obtrude no more

Unmoved, she notes the chariots pausing
At her low gate;
Unmoved, an emperor be kneeling
Upon her mat.

I've known her from an ample nation
choose one;
Then close the valves of her attention
Like stone.

***

A alma escolheu sua companhia
e a porta fechou;
sua divina maioridade
ninguém mais penetrou.

Imóvel ela viu a carruagem transpondo
o seu baixo portal;
imóvel, e o imperador ajoelhou-se
em seu umbral.

Ouvi dizer que de uma vasta nação
só escolheu alguém;
depois as válvulas fechadas da atenção
como pedra retém.

Emily Dickinson
(Retirado do livro Memória e Sociedade - Ecléa Bosi, pg 45).



Escrito por Eliane Alcântara. às 15h59
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20051005224541.html

 Restaura-Ação.

É dia e colho os frutos luzidos,
boca extasiada em sagrado manto.
Vem-me aos sonhos encanto boêmio
curva&fragmentos no céu por entre galhos,
azul de um verbo preciso na pele
sede em contornos no quase teto,
violões, calçadas, mesas, passos e retratos,
engenharia de meus suspiros nas pautas,
porta forte para o encontro
aconchego de um  abrir em chegadas,
estreito silêncio,
enquanto ora a natureza,
borrões de tinta fresca
ou o descascar religioso dos anos
no coração dos pedestres despercebidos.

Eliane Alcântara.
14/01/06.
13h e 48 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 13h58
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 http://fernandorozano.nafoto.net/photo20060104215557.html

 Embrulho.

Minha boca vestida de murmúrio
geme a saudade de praças sorrisos
em lentes/olhos, avisos de fios.
Finda meu tempo de lamparina
reina meu prazo de eletricidade.
Nada sou de um grão partido
creio no presente, semente inteira.
Minha voz de carência acredita,
meu grito não se cala
ante a beleza e o futuro
do que está a iniciar.
Colho de vistas o fundo,
visito a clemência por luzes
e em cada fantasma deste tormento
filtro lembranças que são de outros
nos detalhes de cada choro e riso
no tempo esquecido por eles mesmos
e perpetuado por grandes artistas,
arquitetos, pedreiros, pintores, paisagistas,
sem noções do poder de sua magia,
embrulhada nas poções do modernismo.

Eliane Alcântara.
13/01/06.
20h



Escrito por Eliane Alcântara. às 09h38
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 Explicada a razão de meus roubos fico bem mais tranqüila. rs*

http://fernandorozano.nafoto.net/photo20060101075833.html

 Desejo (s).

Esperança nas cores ou diríamos confiança?
Arde-me os olhos, os teus em distância.
Cuido loucos instantes, perdidos pensares.

Quero remanejar a idéia azul para perto...
De meus dedos fluem coisas, encantos vermelhos,
pequenas chamas de utopia sincera.

Quebro o ar com a linha vida, broto.
Nos fios nossas falas, terra e mar perfuram.
Transparência de segredos, desenhos,
formas inimagináveis aos cegos.

Vem branca a nuvem vontade
no verde de meu grito amarelo.
Elo em que sonata o prazer,
acolhedor vitral de dançantes imagens.

Seja florido o amanhã deste sonho
em que pintam as paredes com desejos!

Eliane Alcântara.
13/01/01.
19h



Escrito por Eliane Alcântara. às 19h03
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Estou um pouco assustada comigo... Tenho virado
uma ladra de primeira. rs* Por uma boa causa...

http://fernandorozano.nafoto.net/photo20060108183106.html

 

Jogo de imagens.

Das cortinas que balançam o vento dentro das pupilas
retiro o musgo da imaginação de forma delicada
e bebo de teu sentir um pouco do que mistificas.
Nada sei de esquecido, de lembranças na finura das mãos
ou a lacônica vírgula em pertinente grito pelo caminho.
Rezo em três ou quatro ave-marias a desenvoltura de tuas paragens
e acolho no sobrado de portas fechadas a manhã virtuosa de teus olhos,
santos eclipses, a emoldurar o amanhã de muitos.
Na tinta de tua visão há o eterno moldado pelo tempo,
raiz operante nos versos, a despir-me para a memória.

Eliane Alcântara.
13/01/06.
17h e 25 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 17h27
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 Ok... Assumo... Foi roubo... Ou apenas
peguei emprestado:
http://fernandorozano.nafoto.net/photo20060112214442.html

  Flamejante.

Passei a tarde entardecendo...
Esperando tua chegada bem sabes onde.
Tua fala, teu sorriso em letras, tuas mãos,
olhos no relógio, pulso a bater acelerado.

Contei os segundos de um tempo,
este cheio de encantos, verdades, palavras...
Sorri para aquela foto, teu gosto em dizer sim,
tua vontade presa em um não, livre em mais.

Busquei o aquário para mais perto,
ver-te nadando em cores alegrou-me o dia.
E se tu fosses peixe e eu água? Sou terra.
E se fôssemos líquidos em pensamentos?

Parei as horas para correr com o poema
antes da noite bordar o silêncio - férias -
e a madrugada tocar vazia aquela voz
- nossa sem ser. Tua por me ouvires sem cantar.

Bebi o sinônimo da paixão, ri das trocas,
amei descobertas, descobri olhares em segundos.
E das tardes que brotam em meu ser
dou-te uma nova (só) pelo prazer de saber-te...

Eliane Alcântara.
13/01/06.
15h e 50 min



Escrito por Eliane Alcântara. às 16h08
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Histórico
22/01/2006 a 28/01/2006
15/01/2006 a 21/01/2006
08/01/2006 a 14/01/2006




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